Homem versus comida nutrição
Faça bastante exercício e você poderá comer o que quiser, certo? Errado. Confie em mim: eu passei um ano inteiro de dieta. E o que aprendi pode mudar a sua vida.
Por John Bradley
Obviamente, magro não significa, necessariamente, saudável. Nem mesmo quando, para caras como eu, isso seja o resultado de um estilo de vida atlético. A verdade é que muitos de nós usam a desculpa de um tempo baixo nos 10 km de corrida como desculpa para escolhas medonhas de comida. Uma vez eu vi um entrevistador perguntar ao ator Robin Williams, famoso por ser fanático por ciclismo, o que ele comia para manter seu peso, ao que ele respondeu: “Eu posso comer praticamente de tudo, afinal, ando de bicicleta”. Esta é uma atitude muito comum; às vezes o maior apelo de uma longa pedalada é o caos de picanha com cerveja que vem depois. Isso pode explicar por que uma pesquisa do governo norte-americano no ano passado revelou que os maiores bebedores daquele país se exercitam mais do que os abstêmios.
Aos 38 anos, com um histórico familiar de doenças cardíacas e um histórico pessoal de pizzas na madrugada e oscilações no nível de energia, eu precisava melhorar minha rotina alimentar. Eu queria uma estratégia que resultasse em hábitos mais saudáveis, sem restrições e fixações a programas austeros e dogmáticos. Mas por onde começar? A indústria do regime focase, quase que exclusivamente, em pessoas com sobrepeso, para as quais um passeio no parque já seria uma vitória; havia poucas opções para um atleta em boas condições físicas como eu.
Homem versus comida
Faça bastante exercício e você poderá comer o que quiser, certo? Errado. Confie em mim: eu passei um ano inteiro de dieta. E o que aprendi pode mudar a sua vida.
Por John Bradley
Então decidi fazer um experimento radical. Eu passaria oito semanas em cada um dos seis diferentes regimes, representando as várias opções existentes para quem quer emagrecer, de dietas da moda até estudos clínicos: a Dieta do Abdominal, a Dieta Paleo para Atletas, a Prescrição Mediterrânea, o Programa de Okinawa, conselhos de um nutricionista pessoal e a Pirâmide Nutricional da USDA (United States Department Of Agriculture, ou Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Eu anotaria cada refeição, lanche, suplemento e treino, juntamente com observações de como estava me sentindo, e faria visitas bimestrais ao meu médico e ao laboratório de análises para pesagem, verificação de colesterol e análise de composição corpórea. Eu me daria apenas duas folgas: 19 dias para a minha lua de mel, depois da Dieta dos Abdominais, e 11 dias durante as festas de fim de ano, após a Paleo Dieta para Atletas. Um saco. Um imenso saco.
Minha teoria: aplicando à nutrição a mesma disciplina que eu aplico aos treinos de ciclismo, eu conseguiria mensurar essas dietas em comparação com o que seus autores alegam.
Cada uma mostrou ter algo a me ensinar, e cada uma, por sua vez, teve algo que não me serviu. E, ao longo do caminho, tornei-me o maior especialista no mundo a respeito de como eu deveria comer.
> A Dieta dos Abdominais
DAVID ZINCZENKO E TED SPIKER
A teoria >> Se você tiver uma barriga tanquinho, provavelmente é saudável.
A dieta >> Muita proteína e gorduras boas, nada de carboidratos refinados. Treinos de arrebentar os abdominais! Melhor lição >> Refeições saudáveis podem ser saborosas e fáceis de fazer.
David é editor-chefe da revista Men’s Health e o cara por trás da série de best-sellers Eat This, Not That! (Coma Isto, Não Aquilo!). Enquanto alguns autores de dietas colocam uma embalagem séria em um pacote de conselhos insossos, David encontrou o sucesso colocando uma embalagem simplesinha em uma abordagem muito inteligente. Sua estratégia é usar comidas integrais e uma planilha de três pequenas refeições e três lanches robustos por dia. Siga essa receita, diz David, e você perderá peso sem perder a cabeça. E graças a muita proteína somada ao plano de treinos, você ficará mais rápido, mais forte e mais à vontade para vestir uma roupa de banho.
Eu tinha uma lista de compras básica — manteiga de amendoim, peito de frango, pão integral, molho de tomate, espinafre, leite, ovos — e receitas que raramente requeriam mais do que vinte minutos. Além disso, a maioria dos cafés da manhã eram vitaminas e a maior parte das receitas de almoço e jantar garantia uma sobra que eu conseguia congelar ou guardar na geladeira. Essa dieta acaba com qualquer argumento de que comer bem consome tempo demais.
Uma grande sacada: os lanches são usados para prevenir a fome, em vez de saciá-la. Um punhado de nozes, uma fatia de melão ou uma torrada com manteiga de amendoim algumas horas depois da refeição mantinham meu nível de energia estável ao longo do dia; a qualquer hora que eu treinasse, estaria adequadamente abastecido.
Homem versus comida
Faça bastante exercício e você poderá comer o que quiser, certo? Errado. Confie em mim: eu passei um ano inteiro de dieta. E o que aprendi pode mudar a sua vida.
Por John Bradley
[Semanas 9 a 16]
> A Dieta Paleo para Atletas
LOREN CORDAIN E JOE FRIEL
A teoria >> A autora da Dieta Paleo (coma como nossos ancestrais da idade da pedra) uniu-se ao treinador esportivo Joe Friel para adaptá-la a estilos ativos.
A dieta >> Muita carne de caça, produtos crus, nada refinado (a não ser durante os esportes de endurance, quando barrinhas, pães e géis são permitidos).
Melhor lição >> É difícil fazer exercício quando se passa fome o tempo todo.
Agora entendo por que os adeptos da dieta de Atkins amam tanto seu estilo de vida cheio de carne. Perdi três quilos neste regime, e minha porcentagem de gordura caiu de seis para cinco. Também entendi por que os defensores do doutor Atkins ficam tão mal-humorados: passei todas as semanas, menos as duas últimas, com uma grave sensação de falta de combustível — cansado, aéreo e faminto.
O que eu comia era delicioso: alce, búfalo, salmão. Só que as receitas exigiam um tanto de conhecimento e boa mão para a cozinha — e um estômago bom para miúdos (eu pulei o coração, a língua e os testículos). E, a não ser quando eu estava me exercitando, eu não podia comer muitos carboidratos. Fiquei tão cansado dessa abordagem que o tédio ou o estômago sensível terminavam minhas refeições antes que eu tivesse comido o suficiente. E me vi ansioso pela hora do treino, porque poderia usar isso como desculpa para comer uma barrinha de cereais.
O co-autor Joe Friel admite que se sentiu mal durante as duas primeiras semanas de dieta, mas diz que deu a volta por cima na terceira semana. Eu levei o triplo desse tempo para começar a me sentir normal. Na metade do processo, eu tive um ataque e comprei um burrito de queijo com ovo e batata para o café da manhã, escrevendo em meu diário de refeições: “Acordei com uma fome muito além do que as frutas e os vegetais que eu tinha em casa pudessem suprir”.
Ainda assim, minha taxa de colesterol bom contra colesterol mau — talvez mais importante que o valor total — estava mais próxima do melhor que eu já havia chegado este ano. Definitivamente há alguma coisa boa nesta abordagem. Mas, sendo eu um cara ativo que não está querendo perder peso, simplesmente não há como manter-me num plano que me deixa com fome e cansado o tempo todo.
> A Prescrição Mediterrânea
ANGELO ACQUISTA E LAURIE ANNE VANDERMOLEN
A teoria >> Anos melhores e em maior quantidade comendo como um siciliano.
A dieta >> Vegetais, legumes, nozes, grãos integrais, peixe, azeite de oliva e vinho tinto.
Melhor lição >> Comer de forma saudável tem mais a ver com moderação em tudo do que eliminação de qualquer coisa.
Esta vai ser a minha dieta de emergência para o resto da vida. A alma deste regime é a alimentação rica em peixes e hortifrutis da região da Sicília e da vizinha cultura mediterrânea — peixe-espada com alcaparras, macarrão com feijão, peras ao vinho Chianti. Mesmo sendo um cozinheiro preguiçoso e inexperiente, achei as receitas fáceis. Como atleta de endurance, bem, massa tem sido a fonte de energia de corredores e ciclistas há décadas; eu me sentia bem e mandava ver na bike.
Tudo isso faz sentido. Um estudo recente feito por pesquisadores australianos comparando o humor de pessoas em dieta de baixo carboidrato com o de pessoas em dieta de baixas gorduras atestou que estes últimos mostraram estados emocionais muito melhores após um ano de dieta do que os que cortavam seus carboidratos. A Prescrição Mediterrânea foi uma forma prazerosa de lembrar-me de que os males causados por carboidratos refinados não são motivos para nos afastarmos totalmente dos carboidratos. Dê um jeito de tirar o pão branco da sua vida, mas não se sinta mal se cair na tentação de comer um pedaço de alguma delícia integral. E mergulhe o pedaço no azeite de oliva. Esse sim, tornou-se um aliado constante do meu arsenal de lanche vespertino.
Eu também adoro o fato de que, num livro que fala claramente de perda de peso, a única discussão real a respeito de calorias afirma que contá-las pode acabar levando ao fracasso as tentativas de ter uma vida mais saudável. A mensagem principal: coma o máximo de vegetais que conseguir, além de versões mais saudáveis da maioria das comidas que você já consome, e encontre atividades físicas que te deem prazer. Mas não se esqueça de que, eventualmente, saúde e alegria dependem de grandes refeições comemorativas, e de uma boa soneca à tarde. Se as calças apertarem, coma menos e faça mais exercícios. Eu consigo ser um seguidor desta.
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